REALIDADE
“Me recuso a fazer do teatro uma documentação mera e simples da realidade, mas ao mesmo tempo não quero ver meu teatro alienado dessa mesma realidade.” João das Neves
É certo que João das Neves sempre buscou em seus trabalhos refletir sobre as realidades do povo brasileiro. O teatrólogo não procurava fazer teatro como uma documentação simples da realidade, porém, para ele, seria impossível ignorar a mesma. João tinha uma evidente preocupação com o que acontecia e a partir de seu processo de criação expunha críticas e as entranhas da realidade, mesmo que através de metáforas.
As diversas realidades brasileiras são como as águas dos rios que atravessam períodos de secas, estiagens, enchentes, interrupções e assoreamentos e que se unem nos e aos oceanos. A vivência de João das Neves e seu olhar atento a estas múltiplas existências o inspiravam a construir um teatro abarcando a cultura popular, o dia a dia dos trabalhadores, os sons da cidade, o vai e vem de pessoas nas ruas. Todas essas referências produziam uma dramaturgia ora lúdica, ora metafórica, ora dramática.
Em suas peças estão inscritos temas sobre a questão feminina e feminista como em Mural Mulher, sobre contextos políticos e sociais das décadas de 1960 e 1970, como pode ser visto em O último carro, e outros fatos que repercutiram em projetos como Tributo a Chico Mendes. Todos estes trabalhos demonstrando inquietação e reação sobre uma complexa realidade social. Impossível esquecer também como o dramaturgo procurou levar o teatro ao cotidiano, propondo encenações em praças, sindicatos, lugares onde o povo realmente estava.
